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PARAPENTE

História

O parapente é um esporte bastante recente, que teve origem no desenvolvimento dos pára-quedas pela Nasa, na recuperação de cápsulas espaciais; na idéia de substituir o avião, até então a única forma de praticar o pára-quedismo, pela montanha e também na preguiça de alguns montanhistas em descer a montanha que tinham conquistado com emoção, garra e muita adrenalina.
Em 1968, surgiram os primeiros pára-quedas retangulares com células infláveis pelo próprio vento que a velocidade produzia. Poucos anos mais tarde, na Austrália, o pessoal começou a fazer vôos rebocados por lancha.
Na verdade, o pára-quedismo até então era assunto puramente militar e da aviação civil, evoluindo muito lenta, segura e disciplinadamente.
Em 1978, nos Alpes de Alta Saboya, alguns pára-quedistas imaginaram que se podia fazer mais do que simplesmente saltar de um avião de pára-quedas, modificando um pouco seu perfil de maneira que se pudesse decolar da montanha, em ladeiras um pouco inclinadas, utilizando os próprios meios. Nomes como Bétemps, Bosson, Trinquier e Pierre Bouilloux figuram entre os pioneiros da história recente do parapente. Isso aconteceu no início dos anos 80.
A partir daí iniciou esta nova "religião", e o desenvolvimento de novas velas, com rendimentos cada vez melhores, ocorreu com muita velocidade nas mãos de Laurent De Kalbermatten, Paul Amiel e Oka Yoshiki. A cada ano que passava o número de adeptos era multiplicado por 10. Atualmente se estima algo em torno dos 120.000 voadores espalhados pelo mundo.
No Brasil, os primeiros vôos de parapente ocorreram em 1989, no Rio de Janeiro, e se difundiram rapidamente para praticamente todos os estados.
Uma das vantagens incontestáveis do parapente, além da facilidade de aprendizado e pilotagem, é o fato de todo o material caber numa mochila que pode ser levada nas costas.

Equipamento

Literalmente, o parapente é uma aeronave invertebrada, pois é fabricada apenas com tecido de nylon e fios fino. Esta asa inflável voa com os mesmos princípios aerodinâmicos de qualquer avião de asa rígida. O que mantém esta asa inflada é a pressão exercida na sua parte frontal (bordo de ataque), que é aberta, pela velocidade de vôo natural que vai de 25 a 35 km/h.
Este esporte exige equipamento individual, pois é fabricado com material sensível e delicado que depende muito do cuidado do piloto para a sua conservação e durabilidade.

Alguns equipamentos são obrigatórios:

VELAME -Existem de vários fornecedores e várias performances, desde velas para aprendizado, até protótipos para competição. Também são fabricados normalmente em 3 ou 4 tamanhos, em função do peso do piloto.
MOSQUETÃO -Presilhas escamoteáveis que unem as tiras do velame a selete, que é a cadeirinha onde o piloto senta. É fabricado em aço ou duralumínio.
SELETE -Espécie de assento onde o piloto senta em vôo. Existem vários modelos, alguns bastante sofisticados possuindo até air-bag em caso de queda.
CAPACETE-Elemento obrigatório, que visa dar proteção à cabeça em caso de acidente na decolagem ou pouso.
PÁRA-QUEDAS DE EMERGÊNCIA -Para situações de colapso geral do velame ou colisão.

Outros equipamentos são opcionais:

BOTINAS ESPECIAIS -Proporcionam maior rigidez do pé e tornozelo na decolagem e pouso.
MACACÃO -Protegem contra o frio em vôos mais altos e contra lesões em caso de pouso em árvores ou arbustos.
LUVAS -Protegem contra o frio.
RÁDIO INTERCOMUNICADOR FM -Para contatos diversos, divulgação de irregularidades e treinamento.
VARIÔMETRO -Aparelho que informa a velocidade de subida ou descida; muito importante em vôos de térmica. Além disso, este aparelho registra alturas máximas obtidas, duração de vôo, etc.
GPS (Globe Position System)- Aparelho de navegação por satélite que fornece informações sobre coordenadas, velocidade de vôo, direção correta, etc.
VELOCÍMETRO DE VENTO -Para medição do vento na decolagem.

O Fantástico Vôo

É indescritível a sensação do vôo em parapente. Só aquele que já experimentou a sensação consegue avaliar. É uma sensação de conquista, de domínio e de leveza. Um fantástico vôo começa bem antes da decolagem, quando todo o equipamento deve ser minuciosamente verificado e o piloto metodicamente equipado. São três os cuidados principais:
1. Equipamento revisado e linhas completamente desembaraçadas.
2. Selete perfeitamente conectada ao piloto e aos tirantes do parapente.
3. Condição de vento boa para decolagem: velocidade e direção.

Manobras

Apesar de imaginarmos ser quase impossível fazer alguma coisa diferente do que voar calma e serenamente devido o Parapente não possuir estrutura rígida, na realidade se aproveita esta característica para praticar algumas manobras:
ORELHAS: puxando-se 2 ou 3 fios externos do primeiro tirante (A), desinflamos as pontas do velame de maneira a reduzir a sua área. Finalidades da manobra: perder altura mais rapidamente, obter maior penetração do parapente em dias de muito vento.
FECHADA ASSIMÉTRICA: puxando-se o primeiro tirante de um dos lados, desinflamos a metade do velame e este lado cai completamente, permanecendo apenas a metade oposta garantindo o vôo. Esta manobra visa preparar o piloto para eventuais colapsos semelhantes que venha a sofrer em vôo devido a turbulências do ar. Existe um risco de se o piloto não atuar rapidamente nesta situação, entrar em auto rotação, que é um giro contínuo muito rápido do velame. Nestes casos a única saída é lançar o pára-quedas de emergência
"B" STALL: puxando-se os dois tirantes B, provoca-se uma deformação transversal da vela de maneira que esta perde totalmente o seu perfil e para de voar para frente. Neste momento o parapente apenas desce e bastante rápido. Para sair desta situação o piloto apenas solta este dois tirantes. Esta manobra visa à perda drástica de altura em situações extremas de ascensão próxima a nuvens pesadas.
FULL STALL: puxando-se os dois tirantes traseiros para baixo, o parapente desinfla completamente e cai para trás. Neste momento o piloto literalmente "despenca" a uma velocidade bastante grande. Esta manobra também visa a perda drástica de altura em situações extremas.
FRONT STALL: Puxando-se os dois primeiros tirantes para baixo teremos uma caída do bordo de ataque e uma queda momentânea. Para sair desta situação, somente largar os tirantes.
ESPIRAL: Também chamado "parafuso", é um giro contínuo bastante radical para apenas um lado, como se o parapente estivesse se aparafusando no ar. Nesta manobra o piloto é submetido a forte pressão devido à ação centrífuga. Esta manobra também é usada para perda rápida de altura, chegando facilmente a 10 m/s de descendência.
WINGOVER: Alternando se giros incompletos para a esquerda e para a direita, o paraglider pendula lateralmente de forma intensa, podendo chegar a 90 graus, conforme a intensidade da manobra. O paraglider parece que baila no ar. Além de ser uma manobra decorativa, também serve para perder altura de forma mais rápida.
CRAVETE: Puxando-se uma ou duas linhas internas do primeiro tirante, a vela se dobrará horizontalmente até as duas pontas se tocarem à frente. Neste momento o parapente descerá na vertical. É uma manobra apenas decorativa
GIRO NEGATIVO: Puxando-se o freio de um lado de maneira muito intensa, este lado tende a parar de voar e o outro lado da vela a acelerar, ocorrendo um giro negativo: o piloto gira de costas. Para sair da condição, basta soltar completamente os freios. Existe o risco de se o piloto não ter uma rápida atitude, de entrar em auto rotação.

Meteorologia

A meteorologia é uma parte do estudo da aerologia. Os fenômenos como ventos locais, brisas, ascendências térmicas ou a influência do relevo sobre a circulação meteorológica, tem uma importância fundamental no vôo de parapente. Todos os fenômenos que passam quase desapercebidos para a aviação geral é extremamente percebido em vôos de baixa velocidade e próximo a montanhas. Também é fundamental o conhecimento das turbulências na altura até 5000 metros.
Ventos locais: São ventos que tem origem no desequilíbrio de pressão ou temperatura de uma região para outra.
Brisas: é um vento local provocado pelo aquecimento irregular do solo.
Brisa de mar: devido a terra aquecer mais do que a água do mar durante o dia e esfriar mais durante a noite, ocorrem ventos do mar para a terra durante o dia e o contrário à noite.
Brisa de ladeira: devido ao aquecimento das ladeiras de montanhas acontecer antes dos vales, devido ao ângulo de incidência dos raios solares, ocorre uma brisa do vale para a montanha.
Brisa de vale: ocorre devido ao somatório das ascendências de ladeira necessitar de muito ar que deve vir do vale, criando uma aceleração deste ar, provocando efeito venturi, que não é muito interessante em vôo de parapente.
Inversões térmicas: ocorre devido à temperatura do ar durante o dia não se dissipar e durante a noite a terra esfria mais o ar que esta próximo a ela.
Térmicas: originam-se a partir do aquecimento de certas regiões mais secas, mais escuras ou que retêm o ar por mais tempo, permitindo um maior aquecimento. A bolsa de ar então formada com uma temperatura de vários graus centígrados mais alto que ao seu redor, se eleva.
Turbulência: manifesta-se por redemoinhos horizontais ou verticais e tem várias origens. Pode se originar em obstáculos com árvores, casas e montanhas; da fricção entre ventos de diferentes direções; fricções produzidas por contrastes térmicos, etc.

Competições

O parapente, como todos os esportes, pode se competitivo. Existem vários tipos de competição:
CIRCUITO DE PILÕES - Um grupo de referências geográficas ou artificiais serve para que os pilotos completem um circuito, em vôo contínuo, cumprindo o trajeto na seqüência e fotografando estas marcas para posterior comprovação. Vence o piloto que fizer o trajeto em menor tempo ou, no caso de nenhum piloto ter completado a seqüência, vence quem tiver feito o maior trajeto.
GOAL - Um ponto para pouso é definido e vence o piloto que chegar em menor tempo.
IDA E VOLTA - Completar um percurso de ida e de volta até um ponto estabelecido. Vence o piloto que fizer o trajeto em menor tempo.
PROVA DE VELOCIDADE - Todas as provas anteriores são de velocidade, mas depende do número de pilotos que conseguem completar o percurso. Em uma prova de velocidade se contabiliza o tempo registrando, a hora de saída e de chegada ou literalmente a "corrida" quando é dada uma largada através de alguma marca colocada no solo e vence aquele que primeiro chegar ao local definido para pouso.
PERMANÊNCIA - Tempo de permanência em vôo contínuo. Vence aquele que mais tempo permanecer em vôo.
DISTÂNCIA LIVRE - Também chamado de cross, é uma prova que vence aquele que alcançar maior distância, medido em linha reta a partir da decolagem.
PRECISÃO DE POUSO - Aterrissar mais próximo ao centro de círculos concêntricos. Devido ao pouco aproveitamento do vôo propriamente dito, este tipo de prova está sendo usado apenas em festivais e espetáculos.
ACROBACIA - Muito pouco utilizada, mas para a sua execução é necessário fazer este tipo de prova sobre um lago e rebocar os parapentes com lancha.

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